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Validade do pneu. Tem data? Como saber?

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Flatout - Validade do pneu. Tem data? Como saber? | Continental (foto de um pneu + close na localização do DOT )
 


Flatout - Validade do pneu. Tem data? Como saber? | Continental (foto de um pneu com um close na localização do DOT )

Validade de pneus, muita gente tem dúvidas sobre esse tema. Tem data de validade? Qual a data de fabricação do pneu? Pode rodar? O Juliano Barata do Flatout Brasil explica ponto a ponto, acompanhe no vídeo acima ou no texto abaixo 😉

Além das medidas de largura, altura e aro, os pneus apresentam uma série de dados úteis e importantes que muita gente não faz ideia, como a velocidade máxima recomendada para aquele pneu, a carga máxima que ele suporta e até mesmo qual foi a planta que fabricou aquela unidade. Tudo isso a gente vai explicar em detalhes em uma ocasião futura.

Mas hoje, nós vamos nos focar em uma informação em especial que confunde muita gente. O tal do “DOT do pneu”, como o jargão popular fala, e que muita gente associa com a data de validade do pneu – o que está errado. E junto com isso, vem a dúvida: afinal, pneu tem mesmo data de validade? E onde eu acho esse DOT?

Vamos começar pelo final: o código DOT você encontra na circunferência interna, ou seja, mais próximo da junção com o aro. É uma série de 12 ou 13 números, sempre precedido pela sigla DOT.

E o que quer dizer DOT? É a abreviação do U.S. Department of Transportation, literalmente o Detran dos Estados Unidos. Esse código com um monte de letras e números que vêm na sequência são dados exigidos pelo Departamento de Trânsito norte-americano para homologação e comercialização no mercado de lá, e acabou sendo padronizado pela indústria em todo o mundo.

O primeiro grupo do código tem 2 ou 3 dígitos e identifica qual foi a planta produtora do pneu. Na sequência, temos duas letras que identificam as medidas do pneu dentro da tabela de equivalência do departamento de trânsito dos Estados Unidos. Depois, temos alguns grupos que são opcionais e que se referem a dados e características construtivas daquele pneu. Para o cliente final, nada disso importa muito.

Mas aí chegamos no que importa para você: os quatro últimos números do código DOT. Eles se referem à data de fabricação deste exato pneu – note, data de fabricação do pneu, não de validade. Os dois primeiros números descrevem a semana em que ele foi fabricado e os dois últimos números se referem ao ano.

Flatout - Validade do pneu. Tem data? Como saber? | Continental (foto de close de  pneu na localização do DOT )

Mas com isso vem a pergunta inevitável: pneu tem validade?

De um lado, sim: os pneus expiram e será explicado daqui a pouco o que acontece. Mas é tecnicamente impossível de se determinar uma data, uma idade específica dos pneus para retirada de serviço. Por isso que o DOT traz a data de fabricação, mas não de validade. Mas calma que não iremos te deixar no escuro.

De acordo com o relatório da certificadora alemã TUV Rheinland, em até oito anos da data de fabricação do pneu, ele preserva as suas propriedades químicas de forma consistente. Recomendamos sempre três pontos: primeiro, se o seu pneu possui mais de cinco anos da data de fabricação, é bom que ele seja examinado por um técnico. Segundo, se ele foi fabricado há mais de dez anos, substitua estes por pneus novos, mesmo quando eles aparentem estar em boas condições. Terceiro, caso o fabricante do seu veículo recomende uma idade cronológica para substituição, siga sempre a instrução da marca.

O que acontece com o pneu para ele expirar? O oxigênio, a umidade, o ozônio, a ação dos raios UV, os ciclos de calor, os contaminantes do solo, tudo isso vai degradando a química do composto com o passar dos anos. Com isso, o composto vai perdendo seus óleos, as moléculas se degradam, a borracha perde elasticidade e resistência à tração. A borracha literalmente vai endurecendo e oxidando. Ela ganha características do plástico, podendo até apresentar rachaduras e soltar pedaços.

Então o ambiente vai ter uma influência decisiva no processo de degradação. Dois pneus idênticos podem perder suas propriedades em escalas de tempo completamente diferentes – um em cinco e outro em seis, sete, nove anos, dependendo das agressões que ele sofreu. Por isso que tanto as fabricantes quanto o DOT não conseguem determinar uma data de validade –é impossível.

Um pneu novo e corretamente acondicionado no estoque, protegido do sol e com aquela cera protetiva de fábrica, vai durar muito mais que um pneu em uso no ambiente externo. Mas isso não quer dizer que o novo não expire nunca. Mesmo ali no escuro e longe dos raios do sol, a oxidação e a hidrólise causadas pelo oxigênio e pela umidade do ar, em uma escala bem longa do tempo, irão agredir estes compostos também. A própria mistura de óleos e outros materiais que fazem o composto da borracha não é algo permanentemente estável.

A turma que coleciona tênis, os famosos sneakerheads, sabe bem deste fenômeno: as solas dos tênis antigos, mesmo novos e jamais calçados, começam literalmente a apodrecer após uma década ou mais, e eles não podem ser usados por este motivo.


Resumo da Ópera:

  • O famoso DOT do pneu. Os quatro últimos números do código sempre apontam a data em que o pneu foi fabricado: os dois primeiros dígitos são a semana e os dois últimos dígitos, o ano. A sigla vem de U.S. Department of Transportation, o equivalente ao Detran dos Estados Unidos.
  • Esse código mostra a data de fabricação, mas não a de validade de pneu porque não dá para se estimar uma data de expiração – nem mesmo aproximada. O composto pode se degradar de forma muito mais precoce com sol excessivo, contaminantes do solo, umidade e ciclos de calor de operação. Mas de forma geral, a recomendação é a seguinte: se o seu pneu possui cinco anos desde que foi fabricado, é importante tê-los inspecionados por um técnico.
  • E se ele possui mais de dez anos de fabricação, substitua-os por unidades novas, mesmo que aparentemente eles estejam em bom estado. Com uma década nas costas, a degradação química é inevitável, mesmo se o pneu foi corretamente acondicionado e se o carro quase não é utilizado: é verdade que os raios UV do sol são grandes agressores, mas a oxidação e a hidrólise também degradam muito o composto do pneu e eles estão no ar, na umidade